A névoa misteriosa que tornou 536 o pior ano da história para se estar na Terra

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Qual foi o pior ano já vivido pela humanidade? Nos últimos meses, usuários das redes sociais têm criado piadas e memes em cima da aposta no ano de 2020 como uma possível resposta a essa pergunta. Não é pra menos: de janeiro até aqui, o mundo já assistiu a especulações a respeito de uma Terceira Guerra Mundial, incêndios de enormes proporções, o estouro da pandemia de coronavírus, o colapso da economia em vários níveis, tensão e instabilidade política em diversos países - já fomos até ameaçados por abelhas gigantes asiáticas.

Entre eles, 1349, quando a Peste Negra varreu metade da população da Europa, 1918, quando a Gripe Espanhola matou de 50 a 100 milhões de pessoas, e de 1939 a 1945, quando a Segunda Guerra Mundial e o Holocausto exterminaram mais de 60 milhões de seres humanos.

Mas, segundo os cientistas, é fichinha perto de 536 - este sim, o pior ano da história. A pesquisa sobre o assunto foi publicada na revista Science ainda em 2018, mas voltou à tona com os memes postados na internet nas últimas semanas. O historiador e arqueólogo Michael McCormick, da Universidade Harvard, que liderou a equipe que publicou o artigo, explicou, em entrevista à Science na ocasião, que 536 "foi o começo de um dos piores períodos para se estar vivo, se não o pior."

Acontece que, naquele ano, um vulcão na Islândia entrou em erupção e cobriu o céu do hemisfério norte com cinzas - ao longo de nada menos que 18 meses, um ano e meio. "O Sol deu sua luz sem brilho, como a Lua, durante todo o ano", escreveu Procópio, historiador da época. A temperatura média, no verão, caiu cerca de 2ºC; e a década de 530 foi a mais fria em 2,3 mil anos.

A falta de luz e calor impactou a agricultura; e uma crise de fome assolou o planeta: há registros de falta de alimentos em documentos de países tão distantes quanto Irlanda, Mesopotâmia e China. A crise ainda foi agravada por mais duas erupções vulcânicas, em 541 e 547. O ano de 541 também coincidiu com uma epidemia de peste bubônica, que começou em um porto egípcio e se espalhou por todo o Império Romano do Oriente: a doença matou entre 35% e 55% da população do litoral do Mediterrâneo.

Os historiadores estimam que as consequências do desastre iniciado em 536 só foram plenamente superadas por volta de 640 - ou seja, um século mais tarde.

Parte deste texto é uma tradução de artigo publicado na Revista Science. Para acessar o texto original, clique em: https://www.sciencemag.org/news/2018/11/why-536-was-worst-year-be-alive

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