Rússia e Ucrânia anunciam em cessar-fogo em Kiev e Chernihiv

Delegações da Rússia (à esq.) e da Ucrânia (à dir.) em Istambul, na Turquia. Ao centro, presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan. Foto: via AFP

 A Rússia e Ucrânia chegaram a um acordo sobre o cessar-fogo em áreas próximas a Kiev, capital ucraniana, e a Chernihiv, cidade ao norte do país. Representes dos países se encontraram nesta terççafeira (29) em Istambul, na Turquia. Conversas serão retomadas na quarta-feira (30).

 A decisão foi tomada após avanços no primeiro dia de novas negociações entre os dois países na Turquia, segundo o vice-ministro da Defesa da Rússia, Alexander Fomin, citado pela agência estatal Tass.

A Ucrânia, por sua parte, propôs declarar neutralidade e desistir de aderir a alianças militares no futuro, como a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), em troca de receber garantias de segurança para encerrar a guerra. Kiev também sugeriu um período de negociações de 15 anos sobre o status da Crimeia, península anexada pela Rússia em 2014.

“O Ministério da Defesa da Federação Russa, a fim de aumentar a confiança mútua e criar as condições necessárias para novas negociações e para alcançar o objetivo final (…) tomou a decisão de reduzir a atividade militar nas direções de Kiev e Chernihiv”, disse o vice-ministro, ainda de acordo com a Tass.

Fomin citou que houve avanços nas negociações sobre a neutralidade da Ucrânia, assim como sobre o fornecimento de garantias de segurança ao país vizinho. Segundo o vice-ministro, as conversas estão “avançando para um plano prático”.

Pelos detalhes do plano expostos ao fim do primeiro dia de negociações, a Ucrânia quer garantias de segurança nos moldes do artigo 5 da Otan, que prevê uma resposta coletiva a um ataque contra um membro da aliança. Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha, Polônia, Israel, Turquia e Canadá poderiam estar entre os países que oferecerão essa garantia aos ucranianos, segundo os negociadores.

Em troca das garantias, a Ucrânia aceitaria adotar um status de neutralidade e desistir de possuir armas nucleares no futuro, duas das exigências da Rússia para encerrar a guerra. O país também concordaria em não ter bases ou presença militar estrangeira em seu território.

"Este é o sistema sobre o qual gostaríamos de construir o futuro da Ucrânia", afirmou David Arakhamia, um dos negociadores ucranianos, após o encontro. "Queremos um mecanismo internacional de garantias de segurança com o qual os países atuem de forma semelhante ao artigo 5 da Otan."

A Rússia prometeu divulgar mais detalhes da redução da ofensiva militar contra Kiev após o retorno da delegação em Moscou. O recuo, porém, foi anunciado após a Ucrânia ter afirmado que retomou o controle da cidade de Irpin, nos arredores da capital. Na semana passada, o Ministério da Defesa da Rússia já havia anunciado que o país concluiu a "primeira fase" do ataque ao país vizinho e que passaria a focar no leste da Ucrânia, onde estão as províncias de Luhansk e Donetsk, controladas por separatistas pró-Moscou.

O ministro de Relações Exteriores da Turquia, Mevlut Cavusoglu, disse que Rússia e Ucrânia fizeram o “avanço mais significativo” nas negociações para encerrar a guerra durante uma reunião realizada em Istambul. Segundo o chanceler turco, negociadores russos e ucranianos chegaram a consensos em algumas questões e que uma reunião entre os líderes dos dois países, Vladimir Putin e Volodymyr Zelensky, estava “na agenda”. No entanto, ele detalhou quando a reunião poderia ocorrer.

Sede do governo de Mykolaiv, na Ucrânia, após ataque russo nesta terça-feira — Foto: Petros Giannakouris/AP

Após o término do encontro na Turquia, que terá nova rodada na quarta-feira, o chefe da delegação russa, Vladimir Medinsky, descreveu as conversas com a Ucrânia como “construtivas”. Segundo ele, os ucranianos apresentaram propostas que agora serão estudadas pelo Kremlin e discutidas com o presidente do país, Vladimir Putin.

Cavusoglu disse que haverá uma reunião na quarta-feira entre os chanceleres ucraniano, Dmytro Kuleba, e o russo, Sergei Lavrov, no qual questões mais difíceis serão discutidas pelos dois lados. O ministro acrescentou que a Turquia pediu que os dois lados cheguem a um acordo para um cessar-fogo e para solucionar a abertura de mais corredores humanitários na Ucrânia.

O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, logo no início do encontro de hoje, disse à Rússia e à Ucrãnia que ambos têm uma "responsabilidade histórica" de interromper os combates. "Prolongar o conflito não é do interesse de ninguém", afirmou.

* Com informações. O Globo, AFP e Agências de noticias 

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