Escolas estaduais de SP vão trocar livros por material digital

Pela primeira vez, as escolas estaduais de São Paulo não receberão os livros didáticos do programa nacional gerido pelo Ministério da Educação (MEC), que compra obras para instituições de todo o país há décadas. 


Governo de São Paulo tira livros didáticos impressos da sala de aula — Foto: Marcelo Casal Jr. / Agência Brasil

A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo não vai mais usar o material didático e pedagógico do PNLD (Programa Nacional de Livros Didáticos), oferecido pelo Ministério da Educação. A medida vai afetar alunos do ensino fundamental e médio da rede estadual a partir de 2024. 

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“A aula é uma grande TV, que passa os slides em PowerPoint, alunos com papel e caneta, anotando e fazendo exercícios. O livro tradicional, ele sai”, disse o secretário da Educação paulista, Renato Feder, em entrevista ao Estadão publicada na 3ª feira (1º.ago.2023).

Desde abril, a gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) tem orientado os professores que acessam o diário de classe digital a usar o conteúdo pedagógico disponível na plataforma durante as aulas. 

“Não é um livro didático digital. É um material mais assertivo, com figuras, jogos, imagens 3D, exercícios. Ele pode clicar em links, abrir vídeos, navegar por um museu”, explicou o secretário. 

Alinhado ao currículo escolar do Estado, o material é produzido por uma equipe da Secretaria da Educação paulista formada por 100 professores. De acordo com Feder, a decisão de abandonar os livros se deu por causa de questionamentos em relação à qualidade das obras selecionadas pelo MEC, além de facilitar o dia a dia dos professores e alunos.

Feder disse que a secretaria avaliou que o material didático e pedagógico do PNLD para 2024 está “mais raso” e “tenta cobrir um currículo muito extenso de maneira superficial”. 

Em nota ao jornal "O Movimento", o MEC informou que “a permanência no programa é voluntária” em “respeito à autonomia das redes e escolas”. O ministério também disse seguir “de portas abertas ao diálogo e à cooperação junto a Estados e municípios”, para cumprir “o papel de articulação dos entes para a construção de uma educação pública, gratuita e de qualidade para os estudantes brasileiros”.

Segundo fonte no ministério, o Estado já solicitou a 1ª leva de livros didáticos para o próximo ano letivo. O material que será entregue não poderá ser descartado e deverá ser usado nas aulas.

Eis a íntegra da nota: 
“O Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) é uma relevante política do Ministério da Educação, com adesão atual de 95% das redes do Brasil. A permanência no programa é voluntária, de acordo com a legislação, aderente a um dos princípios basilares do PNLD, que é o respeito à autonomia das redes e escolas. O MEC segue de portas abertas ao diálogo e à cooperação junto a estados e municípios, sempre cumprindo o papel de articulação dos entes para a construção de uma educação pública, gratuita e de qualidade para os estudantes brasileiros.”


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