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Em março, o quilo do produto era R$ 22,21, passando para R$ 41,70 em setembro. Outros derivados do leite, como manteiga e margarina, também aumentaram nos últimos seis meses, mas com um encarecimento médio de alguns centavos. Mais um aumento nos Supermercados é o do próprio leite. O leite longa vida ficou 22,99% mais caro.
Especialistas afirmam que uma conjunção de fatores provocou a elevação no preço dos alimentos. O principal deles é a alta do dólar que, além de encarecer os insumos industriais e agrícolas, torna o mercado externo mais atrativo.
Demanda de outros países
Não é só no Brasil que a ida ao supermercado está mais cara. A FAO, órgão pertencente à ONU (Organização das Nações Unidas), faz um acompanhamento mundial no preço de alimentos por meio de um índice. Esse indicador bateu, no mês passado, o maior valor desde o início da pandemia do coronavírus. A razão para a escalada foi uma demanda maior por alimentos no mercado internacional, puxada principalmente pela China.
“A economia chinesa sofreu um freio em janeiro e fevereiro, por causa da quarentena, mas em maio as coisas já começaram a se normalizar. Para sustentar o crescimento pós-pandemia, o país reforçou a política de segurança alimentar, importando mais produtos alimentícios”, explica Julia Braga, professora de economia da UFF (Universidade Federal Fluminense).
O apetite do gigante asiático fez o preço das commodities subirem. No último mês, o mercado internacional registrou um aumento de 27% no preço do milho, de 30% no da soja e de 43% no do arroz. Como os grãos são a base de alimentação dos bovinos, suínos e de aves, essa alta também acaba refletindo no preço da carne. O arroba do boi gordo, por exemplo, está até 40% mais cara do que em agosto de 2019.
