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As razões que estão por trás do ato suicida envolvem características variadas e peculiares de fatores biológicos, psicossociais e culturais . Dados epidemiológicos mostram que para cada adulto que se suicida, outros 20 tentaram tirar a própria vida. Estima-se aproximadamente 1 milhão de mortes por ano em decorrência do suicídio ao redor do mundo, sendo 1 ocorrência a cada 40 segundos em diferentes faixas etárias (OMS).
Alia-se aos principais fatores de risco para o suicídio: os transtornos mentais (Depressão, uso abusivo do álcool, abuso ou dependência de outras substâncias, entre outros), perdas recentes significativas, questões sociodemográficas, de isolamento social e condições clínicas incapacitantes. Há ainda estudos que colocam o desemprego, situações de falência, alguns ambientes e processos de trabalho como agravantes das condições de saúde da população, sendo fonte de intenso sofrimento. O suicídio e o comportamento suicida em jovens de 14 a 24 anos de idade mostram também números preocupantes. Estão muitas vezes associados à fatores como o bullying ou situações estressoras, vítimas de abuso sexual, autolesão, humor deprimido persistente, isolamento social ou abandono de atividades prazerosas.
O suicídio é uma questão de saúde pública e exige uma série de ações desde proporcionar melhores condições de vida à população, identificar e controlar os fatores de risco, até realizar campanhas de prevenção ao uso do álcool ou outras drogas e tratamento dos transtornos mentais. Mais que isso se faz necessário falar sobre o suicídio e mobilizar ações divididas em três eixos: de prevenção universal/educativas, de esclarecimento à população; seletiva, de atenção aos grupos de risco; e ações de prevenção específicas, direcionadas às pessoas que manifestaram a ideação suicida. O atendimento desta população em sofrimento necessita de um acompanhamento multidisciplinar (psiquiatras, psicólogos...) e conta com dispositivos da Rede de Atenção Psicossocial (CAPS, Hospital Geral, Unidade de acolhimento e Pronto Atendimento, SRT, C), o que possibilita um manejo apropriado para a prevenção, tratamento e posvenção dos casos de suicídio.
Relações sociais e familiares fortes, estilo de vida saudável, integração no trabalho e lazer, crenças culturais, étnicas e espirituais são fatores de proteção que reduzem a probabilidade de levar adiante o suicídio, mas que mesmo existentes, necessitam de toda atenção independente de evitar ou não o evento suicida. É preciso criar espaços de informação, de troca, acolhimento e manifestação de sofrimento, contribuindo também para a diminuição do estigma que envolve o adoecimento psíquico e o suicídio. Falar possibilita à pessoa visualizar o problema, para isso é necessário uma escuta sem julgamento, crítica ou preconceito. Não hesite em procurar ajuda!
É preciso diálogo para acolher, é preciso informação para orientar à busca por tratamento especializado e seguindo o lema da campanha em 2020, É preciso Agir!
Referências:
Organização Mundial de Saúde
http//:www.setembroamarelo.com
Mayra Ribeiro Zamarioli Silva
Psicóloga
Especialista em Saúde Mental e Atenção Psicossocial
Contato: (19) 9 9195-5230
