Setembro Amarelo: Precisamos falar como nos sentimos!

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Setembro Amarelo é uma campanha que tem como objetivo conscientizar a população sobre o suicídio, visando a diminuição dos casos de óbitos pela causa e alertando a população sobre a importância de cuidarmos de questões de grande sofrimento emocional. A campanha ganha visibilidade e discussões em diferentes núcleos, principalmente no mês de setembro, devido ao Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, no dia 10 deste  mesmo mês.

As razões que estão por trás do ato suicida envolvem características variadas e peculiares de fatores biológicos, psicossociais e culturais . Dados epidemiológicos mostram que para cada adulto que se suicida, outros 20 tentaram tirar a própria vida. Estima-se aproximadamente 1 milhão de mortes por ano em decorrência do suicídio ao redor do mundo, sendo 1 ocorrência a cada 40 segundos em diferentes faixas etárias (OMS).

Alia-se aos principais fatores de risco para o suicídio: os transtornos mentais  (Depressão, uso abusivo do álcool, abuso ou dependência de outras substâncias, entre outros), perdas recentes significativas, questões sociodemográficas, de isolamento social e condições clínicas incapacitantes. Há ainda estudos que colocam o desemprego, situações de falência, alguns ambientes e processos de trabalho como agravantes das condições de saúde da população, sendo fonte de intenso sofrimento.  O suicídio e o comportamento suicida em jovens de 14 a 24 anos de idade mostram também números preocupantes. Estão muitas vezes associados à fatores como o bullying ou situações estressoras, vítimas de abuso sexual, autolesão, humor deprimido persistente, isolamento social ou abandono de atividades prazerosas.

O suicídio é uma questão de saúde pública e exige uma série de ações desde proporcionar melhores condições de vida à população,  identificar e controlar os fatores de risco, até realizar campanhas de prevenção ao uso do álcool ou outras drogas e tratamento dos transtornos mentais. Mais que isso se faz necessário falar sobre o suicídio e mobilizar ações divididas em três eixos:  de prevenção universal/educativas, de esclarecimento à população; seletiva, de atenção aos grupos de risco; e ações de prevenção específicas, direcionadas às pessoas que manifestaram a ideação suicida. O atendimento desta população em sofrimento necessita de um acompanhamento multidisciplinar (psiquiatras, psicólogos...) e conta com dispositivos da Rede de Atenção Psicossocial (CAPS, Hospital Geral, Unidade de acolhimento e Pronto Atendimento, SRT, C), o que possibilita um manejo apropriado para a prevenção, tratamento e posvenção dos casos de suicídio.

Relações sociais e familiares fortes, estilo de vida saudável, integração no trabalho e lazer, crenças culturais, étnicas e espirituais são fatores de proteção que reduzem a probabilidade de levar adiante o suicídio, mas que mesmo existentes, necessitam de toda atenção independente de evitar ou não o evento suicida. É preciso criar espaços de informação, de troca, acolhimento e manifestação de sofrimento, contribuindo também para a diminuição do estigma que envolve o adoecimento psíquico e o suicídio. Falar possibilita à pessoa visualizar o problema, para isso é necessário uma escuta sem julgamento, crítica ou preconceito. Não hesite em procurar ajuda!

É preciso diálogo para acolher, é preciso informação para orientar à busca por tratamento especializado e seguindo o lema da campanha em 2020, É preciso Agir!

Referências:
Organização Mundial de Saúde
http//:www.setembroamarelo.com

Mayra Ribeiro Zamarioli Silva
Psicóloga
Especialista em Saúde Mental e Atenção Psicossocial
Contato: (19) 9 9195-5230
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